segunda-feira, 27 de outubro de 2014

MULHERES DA ESTAÇÃO

Olho para todos os lados:
Umas de vestido, outras de salto,
Umas, sorriso calado,
Outras olhando do alto.

Escolho dez das minhas,
Conto com o olhar que as quero.
São mais graciosas as pequenininhas,
São as morenas que venero.

Não deixo as loiras de fora,
Elas contam segredos picantes.
Quando a sensualidade aflora,
São senhoras elegantes.

Se o verão as põe a mostra
Com sua pele tom chocolate,
No inverno ela gosta
Da sua capa cor de abacate.

Creio que o sol as conquiste,
As conheça melhor que eu.
Já me basta saber que existem
Para sonhar: aqui é o céu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

FINDA MUNDO, FIM DA POESIA

Se o mundo terminasse hoje
Pareceria que as ideias fogem
E os arautos seriam autos
Das mais puras besteiras.
Ninguém saberia buscar sua essência
Folheando páginas de revistas,
Procurando pistas que explicasse a insanidade...
Que tal vossa majestade saborear feijão com arroz?
- ninguém se opôs, mas prefiro camarão!
Muito macarrão de letrinhas feito de farinha
Escreveriam vossos testamentos
E em cada momento
Em que a fila movimenta
Outras ideias sustentam aquele ranger de dentes.

Mas aquelas serpentes já não pisoteadas
Parecem paradas,
Não rastejam procurando pés,
Posto que ao revés
Foram-se, as convivas, acotoveladas.

Deixam de soar os sinos
E o suor esparrama nas costas.
O que as verdades mostram
É que são todas verdades
E, pra mais barbaridades,
Já não existe mentira,
Já que toda aquela ira
Agora é julgamento.

Culminando este tormento
Todos os poetas enlouquecem,
Visto que sempre envelhecem
De dor no coração.
E agora já mais não
Porque é de tudo o fim
Enquanto os anjos serafins
Deixam-nos birutas
Tomando os cânticos em disputa,
Aliviando os lamentos,
Tirando o sustento
Daqueles que antes tinham esta batuta.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

POESIAS, MULHERES E VINHO

Nas cartas que escrevo para o imaginário
Vejo lendários bolseiros,
Que com seus couros e costureiros
Transformam em cestos: os relicários.

Mais que boa sina
Que nunca termina,
Com pena e tinta desenho brumas
E entre nuvens, mar e espuma
Venço noites em espontâneas rimas.

Das que falam em fórmulas e flâmulas,
Em líquido – colorido vinho
E nas mulheres lânguidas em suas camas
Em vestes transparentes enfeitando meu caminho.

Nem escrevo pras estrelas
Satisfaz-me a carne humana...
Se teu perfume sinto no tinteiro,
Espero-te por incontáveis semanas.

Assim continuo em francos versos
Espontâneos ou repensados.
Sem simetria – confesso,
Pois desconheço poemas acabados.