terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O Estado mínimo não cuida das mazelas

“O governo, mesmo quando perfeito, não passa de um mal necessário; quando imperfeito, é um mal insuportável.” Thomas Paine.

Quando um governo determina que fará uma gestão tendendo para liberalismo ou até mesmo adotando uma postura liberal, proporcionalmente desincumbe  o  Estado de tratar questões que julgue minoritárias ou que determinem um dispêndio de recursos públicos maiores – sejam eles financeiros, humanos ou estratégicos – é o caso das políticas sociais. Então desloca competências para a iniciativa privada e terceiro setor.

Em outros momentos (outros governos), assume, por competência, a gestão de tais políticas. Diga-se de passagem, que isso não o torna mais pobre ou desorganizado financeira e administrativamente. A má gestão ou os desvios de recursos, sim, fazem com que o Estado empobreça ou desacelere economicamente. O fator político, com suas articulações entre os três poderes e setor privado, se torna determinante para uma boa ou má gestão. Ou seja, se o governo não contempla interesses da iniciativa privada enquanto cuida do social, está fadado a ser um governo falido em médio prazo.

Dadas estas premissas (que não são novidades), observa-se, em longo prazo, um quase equilíbrio de forças opostas: num tempo de governo voltado para o social, as desigualdades sociais são amenizadas; noutros tempos, de outros governos que atendem a interesses de empresários, a economia tende a estabilizar e o Estado sinaliza um quase equilíbrio de sua despesa em relação à receita.

Com o último enunciado surgem as mazelas da sociedade: fome, doenças, violência, educação de baixíssima qualidade, etc. Nesses períodos as entidades que cuidam das minorias sociais se fortalecem, mostrando, com seu profissionalismo, a gestão equilibrada, demonstrando que a ação social pode valorizar o indivíduo e suas necessidades coletivas. Não dispensa os recursos do empresário, nem o altruísmo de pessoas ou pequenos grupos. Não desperdiça, pelo contrário, faz render cada centavo de seus escassos projetos executados.

Essas entidades têm governos, seus presidentes, tesoureiros, administradores e colaboradores que fazem seus pequenos Estados funcionarem. E, pasmem! Funcionam de forma muito equilibrada. Fala-se aqui de entidades bem administradas, é claro.

Os governos e seus governantes (de Estado) poderiam, e podem fazer gestão voltada às práticas do terceiro setor, logo não seriam tão insuportáveis, apesar de necessários.


Estamos em outro ano de eleições presidenciais. Quando elegemos políticos estamos elegendo representantes de sistemas de governo. Portanto, pensemos com cuidado sobre no que estamos votando, além de decidir em quem vamos votar.