domingo, 21 de dezembro de 2014

QUASE NATAL

Lembro que há alguns natais atrás escrevi algo sobre “vende-se espírito natalino”, onde falava sobre a falta de solidariedade e consumismo.

Era já sintoma da minha falta do tal espirito. Hoje lembrei os natais da minha infância. Fazíamos ninhos de barba-de-pau embaixo da árvore de natal – que era um galho de pinheiro (araucária) enfeitado com coisas que meus irmãos produziam a partir de embalagens de bombons e outros poucos enfeites que apareciam por lá – esperávamos ansiosos pelos presentes. E o que eram? Algumas poucas balas e alguns chocolates baratos. Mas era maravilhoso, do tamanho da bicicleta ou do tablet que ganhamos hoje.

Dou-me conta de que não é o tamanho do presente que importa e sim o que ele representa e as circunstâncias que o recheiam. Continuo com quase nenhum espírito natalino e começo a traduzir isso como a falta de significados em que meus natais se transformaram.

Sei que não estamos lendo novidades, é apenas uma reflexão. O romancista Thomas Hardy, do Reino Unido, conhecido pelo seu pessimismo (quero crer que não sentia o “espírito natalino”), certa vez escreveu: “A medida da vida deveria ser proporcional à intensidade da experiência mais do que à sua duração”. Eis que Jesus Cristo durou apenas 33 anos.

Vamos tentar um exercício para buscar o Espírito Natalino: neste Natal dê um único presente, que não seja clichê, a quem você tenha certeza que não espera. Observe o tamanho da felicidade de quem recebeu e espere um bom abraço de Feliz Natal!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

MAIS PRÁTICA

Neste dia (3 de dezembro), que é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, lembro-me de um assunto e tema recorrente – cidadania na perspectiva do potencial destas pessoas – através da empregabilidade e do trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) entre 2012 e 2013, foram criados 27,5 mil empregos formais ocupados por pessoas com deficiência, um aumento de 8,33%. A informação é da Relação Anual de Informações Sociais - RAIS 2013.
Algo para se comemorar? Sim.
Porém, deve-se observar que estes avanços são quantitativos e não qualitativos. Falo de qualidade sob a ótica da cultura de mercado de trabalho que ainda não vê a pessoa com deficiência (PcD) como alguém “produtivo”.
Explico:
A pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Isocial e Catho, divulgada em novembro de 2014, mostra que 81% dos recrutadores contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a lei; por acreditar no potencial, somente 4%, e contratam independente da exigência da cota 12%. Um reflexo preocupante do preconceito aparece em 65% dos gestores que afirmaram ter resistência de contratar pessoas com deficiência e que 93% demonstram resistência para entrevistar estes profissionais. A pesquisa ouviu 2.949 profissionais do setor.
Ainda, observo (empiricamente) que pessoas com deficiência com graduação, pós-graduação e demais títulos ascendentes não tem melhores oportunidades de remuneração e de cargos de liderança, gerenciais ou diretivos dentro das empresas. São equiparados a uma classe (que não existe) de trabalhadores que precisam trabalhar a qualquer preço e que a oportunidade já se configura algo diferenciado por concepção mercadológica (e preconceituosa).
Portanto, dicotomicamente temos avanços estruturais importantes em áreas que circundam o tema, porém percebesse pouco avanço cultural no mesmo campo. E assumo o risco de dizer que prevalece o interesse (dos empregadores) em “baratear” o custo do trabalho, encontrando nas PcDs uma oportunidade concreta para tal manobra.
A solução? Perseverança na busca da mudança cultural, pois no discurso todos já decoraram a afirmação que soa bonito: “eu acredito no potencial produtivo das pessoas, independente de ser deficientes ou não”.
Fonte de dados numéricos: <http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/noticias/cresce-em-83-o-numero-de-pessoas-com-deficiencia-com-contrato-formal-de-trabalho> Acesso em 03 de dez. 2014.