domingo, 30 de novembro de 2014

GOSTAMOS DO CHAVES

Aquele personagem que tem seu criador e interprete Roberto Gómez Bolaños, falecido na última sexta-feira (28/11/2014), é o Chaves (El Chavo del Ocho, da origem na TV mexicana). Isso muita gente sabe, mas a inspiração para tal pode ter vindo de outra figura real (não fictícia), que também morava num barril, era Diógenes (412-323 a.C.), o Cínico. Na Filosofia é apontado como um filósofo que menosprezou os poderosos e as convenções sociais. Foi discípulo de um discípulo de Sócrates. Valorizava as coisas da natureza e renunciava valores materiais, tendo-os como futilidades.

O humor inocente e sagaz de Bolanõs, depositado no Chaves, com requintes de simplicidade na percepção das coisas e com óbvia intenção de objetividade em suas respostas diretas, porém muito inteligentes, traduz nossas intenções mais puras, mais internalizadas na busca daquilo que nos é essencial – ser bom sem ser ingênuo – para produzirmos mais empatia e justeza.

O senso comum, reproduzido nos episódios do Chaves, traz filosofia caricata e comete deslizes, tal qual nós e nossos comportamentos, sem a severidade da culpa. As amenidades do cotidiano não são potencializadas e não se transformam em batalhas de consciência ou em conflitos do direito pelo direito.

Não tenho a presunção de me sentir filósofo – quiçá sofista – mas tenho percepção de que na filosofia de Diógenes e do Chaves admite-se errar como ser humano e acertar como ser social, admitindo-se variáveis do comportamento humano sem deixar de ser, na essência, bom e solidário.

¡Por esta razón me gusta ver El Chavo!

domingo, 2 de novembro de 2014

VOLTA EM TORNO DO NADA
(final de domingo)

Já não me bastam as incertezas
Para buscar a pureza,
Para buscar mais de tudo,
Pois em meu semblante carrancudo
A plástica faz um sorriso.
Tenho mais do que preciso
E menos que me garanta:
Não quero fartura, mas segurança,
Mais daquilo que me põe em pé.
E de tão pouca fé,
Derruba-me a preguiça,
Falta aquilo que me atiça:
Um pouco de sal na borda,
Mais nó naquela corda
Que chamo de minha jornada.
E para voltar ao nada
De antes deste começo,
Escrevo, porém me apresso,
Invento a derradeira parada.