VOLTA EM TORNO DO NADA
(final de domingo)
Já não me bastam as incertezas
Para buscar a pureza,
Para buscar mais de tudo,
Pois em meu semblante carrancudo
A plástica faz um sorriso.
Tenho mais do que preciso
E menos que me garanta:
Não quero fartura, mas segurança,
Mais daquilo que me põe em pé.
E de tão pouca fé,
Derruba-me a preguiça,
Falta aquilo que me atiça:
Um pouco de sal na borda,
Mais nó naquela corda
Que chamo de minha jornada.
E para voltar ao nada
De antes deste começo,
Escrevo, porém me apresso,
Invento a derradeira parada.
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