quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

MAIS PRÁTICA

Neste dia (3 de dezembro), que é o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, lembro-me de um assunto e tema recorrente – cidadania na perspectiva do potencial destas pessoas – através da empregabilidade e do trabalho. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) entre 2012 e 2013, foram criados 27,5 mil empregos formais ocupados por pessoas com deficiência, um aumento de 8,33%. A informação é da Relação Anual de Informações Sociais - RAIS 2013.
Algo para se comemorar? Sim.
Porém, deve-se observar que estes avanços são quantitativos e não qualitativos. Falo de qualidade sob a ótica da cultura de mercado de trabalho que ainda não vê a pessoa com deficiência (PcD) como alguém “produtivo”.
Explico:
A pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Isocial e Catho, divulgada em novembro de 2014, mostra que 81% dos recrutadores contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a lei; por acreditar no potencial, somente 4%, e contratam independente da exigência da cota 12%. Um reflexo preocupante do preconceito aparece em 65% dos gestores que afirmaram ter resistência de contratar pessoas com deficiência e que 93% demonstram resistência para entrevistar estes profissionais. A pesquisa ouviu 2.949 profissionais do setor.
Ainda, observo (empiricamente) que pessoas com deficiência com graduação, pós-graduação e demais títulos ascendentes não tem melhores oportunidades de remuneração e de cargos de liderança, gerenciais ou diretivos dentro das empresas. São equiparados a uma classe (que não existe) de trabalhadores que precisam trabalhar a qualquer preço e que a oportunidade já se configura algo diferenciado por concepção mercadológica (e preconceituosa).
Portanto, dicotomicamente temos avanços estruturais importantes em áreas que circundam o tema, porém percebesse pouco avanço cultural no mesmo campo. E assumo o risco de dizer que prevalece o interesse (dos empregadores) em “baratear” o custo do trabalho, encontrando nas PcDs uma oportunidade concreta para tal manobra.
A solução? Perseverança na busca da mudança cultural, pois no discurso todos já decoraram a afirmação que soa bonito: “eu acredito no potencial produtivo das pessoas, independente de ser deficientes ou não”.
Fonte de dados numéricos: <http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/noticias/cresce-em-83-o-numero-de-pessoas-com-deficiencia-com-contrato-formal-de-trabalho> Acesso em 03 de dez. 2014.

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