Neste dia (3 de dezembro), que é o Dia Internacional
das Pessoas com Deficiência, lembro-me de um assunto e tema recorrente –
cidadania na perspectiva do potencial destas pessoas – através da
empregabilidade e do trabalho. Segundo o Ministério
do Trabalho e Emprego (MTE) entre 2012 e 2013, foram criados 27,5 mil empregos formais
ocupados por pessoas com deficiência, um aumento de 8,33%. A informação é da Relação
Anual de Informações Sociais - RAIS 2013.
Algo
para se comemorar? Sim.
Porém,
deve-se observar que estes avanços são quantitativos e não qualitativos. Falo
de qualidade sob a ótica da cultura de mercado de trabalho que ainda não vê a
pessoa com deficiência (PcD) como alguém “produtivo”.
Explico:
A
pesquisa da Associação Brasileira de Recursos Humanos
(ABRH), Isocial e Catho, divulgada em novembro de 2014, mostra que 81% dos
recrutadores contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a lei; por
acreditar no potencial, somente 4%, e contratam independente da exigência da
cota 12%.
Um reflexo preocupante do preconceito aparece em 65% dos gestores
que afirmaram ter resistência de contratar pessoas com deficiência e que 93% demonstram
resistência para entrevistar estes profissionais. A pesquisa ouviu 2.949
profissionais do setor.
Ainda, observo (empiricamente)
que pessoas com deficiência com graduação, pós-graduação e demais títulos ascendentes
não tem melhores oportunidades de remuneração e de cargos de liderança,
gerenciais ou diretivos dentro das empresas. São equiparados a uma classe (que
não existe) de trabalhadores que precisam trabalhar a qualquer preço e que a
oportunidade já se configura algo diferenciado por concepção mercadológica (e
preconceituosa).
Portanto, dicotomicamente
temos avanços estruturais importantes em áreas que circundam o tema, porém percebesse
pouco avanço cultural no mesmo campo. E assumo o risco de dizer que prevalece o
interesse (dos empregadores) em “baratear” o custo do trabalho, encontrando nas
PcDs uma oportunidade concreta para tal manobra.
A solução? Perseverança na
busca da mudança cultural, pois no discurso todos já decoraram a afirmação que soa
bonito: “eu acredito no potencial produtivo das pessoas, independente de ser
deficientes ou não”.
Fonte
de dados numéricos: <http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/noticias/cresce-em-83-o-numero-de-pessoas-com-deficiencia-com-contrato-formal-de-trabalho>
Acesso em 03 de dez. 2014.
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