Segmento e política
O escritor peruano, com apelido
Sofocleto, disse: “A mediocridade é a arte de não ter inimigos.”
Devo abrandar parafraseando-o:
tenho desafetos, pois não sou medíocre!
Minha passagem pelo ambiente da
política (e da politicagem), até como gestor de alguns órgãos e sub órgãos
municipais e estaduais, indicado e apadrinhado por políticos e seus partidos
políticos, me fez e me faz colecionar alguns desafetos. São pessoas que por
interesses particulares ou de um grupo menor falam e articulam em nome do
coletivo. Ou que fazem um discurso pelo que é moral e ético e na prática agem
como meros defensores de seus umbigos ou seus votos.
Como militante e articulador do
movimento das pessoas com deficiência (PcDs) já ouvi muitos falarem em defesa
do segmento ou que apoiam o segmento. Esses, muitas vezes, usam a palavra
“segmento” indiscriminadamente, como se tivessem falando de um coletivo de sua
propriedade ou de seu comando. O segmento das PcDS é muito maior que uma causa
local ou momentânea, nele encontram-se opiniões, pessoas e grupos divergentes,
mas que entendem a democracia como algo praticável e que contempla a todos.
Divergem apenas enquanto protagonistas, mas sabem separar interesses da
política eleitoreira das políticas sociais e podem ser sim, mandatários de
cargos políticos eleitos ou apadrinhados (se assim souberem separar).
Os medíocres falam de política e
segmento como coisas separadas quando isso os beneficia, mas logo ali na frente
(ou atrás) mudam o discurso e a prática, misturando politicagem com causa
social. Nenhuma novidade quanto a isso!
Por isto que coleciono desafetos, pois tento não
ser medíocre e, para praticar a não mediocridade (acima exposta), me afasto
deles.






