Aquele personagem que tem seu criador e interprete Roberto
Gómez Bolaños, falecido na última sexta-feira (28/11/2014), é o Chaves (El
Chavo del Ocho, da origem na TV mexicana). Isso muita gente sabe, mas a
inspiração para tal pode ter vindo de outra figura real (não fictícia), que
também morava num barril, era Diógenes (412-323 a.C.), o Cínico. Na Filosofia é
apontado como um filósofo que menosprezou os poderosos e as convenções sociais.
Foi discípulo de um discípulo de Sócrates. Valorizava as coisas da natureza e
renunciava valores materiais, tendo-os como futilidades.
O humor inocente e sagaz de Bolanõs, depositado no Chaves,
com requintes de simplicidade na percepção das coisas e com óbvia intenção de
objetividade em suas respostas diretas, porém muito inteligentes, traduz nossas
intenções mais puras, mais internalizadas na busca daquilo que nos é essencial
– ser bom sem ser ingênuo – para produzirmos mais empatia e justeza.
O senso comum, reproduzido nos episódios do Chaves, traz
filosofia caricata e comete deslizes, tal qual nós e nossos comportamentos, sem
a severidade da culpa. As amenidades do cotidiano não são potencializadas e não
se transformam em batalhas de consciência ou em conflitos do direito pelo
direito.
Não tenho a presunção de me sentir filósofo – quiçá sofista – mas tenho percepção de que na filosofia de Diógenes e do Chaves admite-se errar como ser humano e acertar como ser social, admitindo-se variáveis do comportamento humano sem deixar de ser, na essência, bom e solidário.
Não tenho a presunção de me sentir filósofo – quiçá sofista – mas tenho percepção de que na filosofia de Diógenes e do Chaves admite-se errar como ser humano e acertar como ser social, admitindo-se variáveis do comportamento humano sem deixar de ser, na essência, bom e solidário.
¡Por esta razón me gusta ver El Chavo!