“O governo, mesmo quando
perfeito, não passa de um mal necessário; quando imperfeito, é um mal
insuportável.” Thomas Paine.
Quando um governo determina que
fará uma gestão tendendo para liberalismo ou até mesmo adotando uma postura
liberal, proporcionalmente desincumbe
o Estado de tratar questões que
julgue minoritárias ou que determinem um dispêndio de recursos públicos maiores
– sejam eles financeiros, humanos ou estratégicos – é o caso das políticas
sociais. Então desloca competências para a iniciativa privada e terceiro setor.
Em outros momentos (outros
governos), assume, por competência, a gestão de tais políticas. Diga-se de
passagem, que isso não o torna mais pobre ou desorganizado financeira e
administrativamente. A má gestão ou os desvios de recursos, sim, fazem com que
o Estado empobreça ou desacelere economicamente. O fator político, com suas
articulações entre os três poderes e setor privado, se torna determinante para
uma boa ou má gestão. Ou seja, se o governo não contempla interesses da
iniciativa privada enquanto cuida do social, está fadado a ser um governo
falido em médio prazo.
Dadas estas premissas (que não
são novidades), observa-se, em longo prazo, um quase equilíbrio de forças
opostas: num tempo de governo voltado para o social, as desigualdades sociais
são amenizadas; noutros tempos, de outros governos que atendem a interesses de
empresários, a economia tende a estabilizar e o Estado sinaliza um quase
equilíbrio de sua despesa em relação à receita.
Com o último enunciado surgem as
mazelas da sociedade: fome, doenças, violência, educação de baixíssima
qualidade, etc. Nesses períodos as entidades que cuidam das minorias sociais se
fortalecem, mostrando, com seu profissionalismo, a gestão equilibrada,
demonstrando que a ação social pode valorizar o indivíduo e suas necessidades coletivas.
Não dispensa os recursos do empresário, nem o altruísmo de pessoas ou pequenos
grupos. Não desperdiça, pelo contrário, faz render cada centavo de seus
escassos projetos executados.
Essas entidades têm governos,
seus presidentes, tesoureiros, administradores e colaboradores que fazem seus
pequenos Estados funcionarem. E, pasmem! Funcionam de forma muito equilibrada.
Fala-se aqui de entidades bem administradas, é claro.
Os governos e seus governantes
(de Estado) poderiam, e podem fazer gestão voltada às práticas do terceiro
setor, logo não seriam tão insuportáveis, apesar de necessários.
Estamos em outro ano de eleições
presidenciais. Quando elegemos políticos estamos elegendo representantes de
sistemas de governo. Portanto, pensemos com cuidado sobre no que estamos
votando, além de decidir em quem vamos votar.






