domingo, 19 de abril de 2015

NÃO SE REFORMA COM MATERIAL VELHO

(em abril de 2015)

Os comportamentos, os estados psíquicos e a forma de manifestar-se são adquiridos pela movimentação circunstancial da sociedade, dos fatos sociais – assim defendia David Émile Durkheim, sociólogo francês e tido como um dos pais da ciência social – o indivíduo molda seu comportamento a partir do contexto em que a sociedade se encontra (presente).

Certa vez eu disse que era possível abstrair uma atitude tirana do ser humano mais piedoso e altruísta que se possa conhecer, para isto, dependeria apenas da forma (ou ponto de vista) que ele fosse observado. Neste mesmo sentido, pode-se dizer que um sapato furado pode estar velho, ser de má qualidade ou seu dono tê-lo usado muito, ou as três hipóteses juntas.

Os movimentos atuais em relação à condução política e econômica do Brasil tem esse mesmo sintoma, segundo minha percepção, recorrendo às teorias de Durkheim. Quem conduz o país percebe que o cidadão molda-se a circunstância e contexto com a volatilidade de um balão de ar solto, sem obstrução e faz isso a seu favor, sem nenhuma culpa. Sabe que o senso comum impera, que o rapaz da feira vai gritar a promoção da hora e todos vão correr pra comprar, pois liquidez e sinônimo de economia.

A Reforma Política, que é tema de discussão atual, está sendo pré-concebida pelo grito dos feirantes – políticos que estão na caserna há bastante tempo ou seus seguidores herdeiros – e o povo corre pra ver quem oferece mais facilidades, nem tão consistentes, nem tão construtivas, porém baratas, de fácil compreensão imediata e de aplicação menos complexa ou complicada (sem ser sinônimas).

Quero fazer uma proposta: ouça um cientista politico, um cientista social e até um jurista sem vínculos com sistemas ou partidos políticos, faça perguntas, cobre respostas simples, peça que façam uma construção de reforma política descomprometida de intenções eleitoreiras, de ascensão ao poder ou manutenção dele. Eles não são feirantes; não anunciam promoções da hora; anunciam projetos; são pós-modernos e querem um país melhor.

Se for confortável continuar sendo moldado individualmente através dos comportamentos coletivos, que seja com novas visões, sem distorções interesseiras, sem acreditar no que se apresenta como primeira e imediata solução.

Se outro Brasil é possível – e é, acredito – que seja com outras possibilidades vindas de outras frentes, pois os que agora estão na caserna, querem apenas garantir café quente e cigarro – guerra e novas batalhas não os seduzem mais.

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