domingo, 2 de agosto de 2015

BAILE À FANTASIA



Uns tem medo da hegemonia, outros da social democracia, ainda existem os que têm medo dos ismos (comunismo, fascismos, nazismo, liberalismo, islamismo, etc.). Mas do que todos descuidam é o pior bicho papão moderno: os negociantes travestidos de políticos.

Já comento isto há muito tempo – o Brasil se tornou um país alternativo – para o bem e para o mal. Não há fator preponderante para que isso ocorra, há somente um entendimento de que onde é bom pra se viver, também é, pra se investir. Isto determina a quantidade de olhos voltados para o país da Amazônia, por exemplo, ou da cana-de-açúcar, outro exemplo.

Seremos então colônia dos investidores menos afeitos a monumentos? Os dos capitais oscilantes, ou dos que querem uma cobaia para modelar novos mercados, ou novos sistemas políticos?

É sob outra perspectiva que devemos escolher nosso governante: a que está por trás de qualquer discurso que fala de políticas sociais e desenvolvimento com cara de crescimento.
Temos um Estado do país que tem os melhores índices de dignidade humana, ao mesmo tempo é um dos que mais permite especulações políticas e econômicas. Temos movimentos sociais que são referência para o resto do planeta, porém estes estão longe de alcançar seus objetivos teoricamente divulgados.


Votar é uma forma de tentar garantir que nossa pátria não seja explorada. Mas tenhamos muito cuidado, pois enquanto nos preocupamos em resolver questões locais, outros estão nos tomando de assalto nosso direito à propriedade – tanto a territorial e patrimonial, quanto aquela que nos faz ter ideias práticas, resolutivas ou criativas.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

NÃO QUERO SER NORMAL


Sujeito dedicado a não ser vazio, em áridos anos (sem valor à produção intelectual) da segunda década do século XXI, quer se identificar ou minimamente se assemelhar a um grupo social distinto. Então começa sua busca – num exercício de vigília, porque o sono lhe é escasso depois de horas de visão de LED do tablet – por seus caminhos mais conhecidos:

- Quero ser de alguma raça ou etnia diferenciada – hummm... Mas não vai dar, sou um comum e típico luso-brasileiro, com cores médias e jeitos de quem frequenta barbearia de bairro – passo;

- Vou ser favelado – não dá! Moro na planície, num apartamento de um dormitório que custa uma prestação de 360 meses, mas é meu;

- Ser mulher – feio do jeito que sou não enganaria o mais imprudente dos homens;

- Ser homossexual – opaaa! Acho que dá, vejamos... Não sou preconceituoso, tenho pés pequenos, sou careca (meio caminho para perucas), mãos macias... mas não tenho medo de baratas, me confundo todo com as terminologias do gênero (transexual, transformista, bi, drag queem, etc), vou ficar cheio de coceiras se me depilar e acho homens muito feios... ah! E não sou tolerante a mínima dor – passo;

- Vou tentar ser deficiente – plano: me dou um tiro no tornozelo com uma arma de calibre bem grosso. Vou experimentar... (deu merda), lembrei de uma vez que acertei o martelo de bater bife no tornozelo e doeu pra caramba! Outro...

O sono tá chegando e eu tenho que explicar como acertei o tornozelo com um martelo de bater bife: foi tentando bater bife...!

Voltando:

- Vou ser jovem – já passei dos 33... idoso também ainda não;

- Vou ser cantor de rap – fui criado ouvindo o programa do Teixeirinha, não vou me habituar ao ritmo;

- Um cachorro... Bingo!!! Vou adotar um cãozinho e me tornar defensor dos animais... (deu merda de novo!) Meu apartamento é de 36 metros quadrados e trabalho até as 20h00.

Que sono... Mas não quero ser normal... Não tem graça, não dá ibope, não dá pra fazer passeata, manifestação, não tem atendimento prioritário nem vaga de estacionamento...


Amanhã penso mais... Mas não quero ser normal!!!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

UM HOMEM NO NOSSO TEMPO


Por natureza, sempre se é contemporâneo enquanto se está vivo, incontestável condição social e sistêmica. Porém isto não determina, no caso dos humanos, que sejam contemporâneos em atitudes e comportamentos sociais, isto é, pode-se estar em 2015 e comportar-se com quem vive em 1970 ou lunática e anacronicamente pairar num tempo diferente do contexto atual, num sincretismo absoluto (para não dizer absurdo) aceitando verdades e inverdades espalhadas nas colunas midiáticas e nos bares da vida, criando uma perspectiva medíocre para não esbarrar-se em posições que podem torná-los antipáticos e mais solitários.

Ser assertivo, na nossa rasa convivência local, muitas vezes é sinônimo de intolerante, intransigente e outros adjetivos que o senso comum alcunha. Para uma pergunta assertiva, geralmente se responde com um argumento de defesa que passa longe daquela resposta que se esperava. Exemplo:

Pergunta – se o caixa para atender clientes prioritários vai fechar, qual outro atenderá os mesmos?

Resposta – estou no meu horário de lanche!

Não houve sequer uma preparação, ou procura desta por parte de quem atende, para se saber ser assertivo, pois uma resposta possível seria, dentre outras – não sei, mas o senhor pode dirigir-se à gerência e perguntar; ou simplesmente – nos próximos quinze minutos não terá caixa prioritário.

A contemporaneidade requer mais objetividade, lógica e pode ser parecida com aquela que se responde mensagens de aplicativos de redes sociais. Claro, não clique em curtir para um anúncio de funeral e talvez, não deva ser tão curta e evasiva como um simples “ok”!


A contemporaneidade requer atitudes conectadas com toda rede global para agir localmente. Poderia aqui citar autores intelectuais, filósofos renomados ou alguém famoso para defender o assunto, porém quando se defende ação (do agir) quer-se mostrar alguém agindo: um homem assertivo, que dá respostas objetivas, que faz uma cidade mostrar-se prosperando, que entende o que é ser contemporâneo e se comporta circunstancialmente como tal, mesmo que isso não agrade seus mais próximos, mesmo que isso o torne menos simpático, ainda sendo empático e, independente de ideologias, o torne acreditado – Jairo Jorge – um autor de crônicas e respostas concretas, reconheço-o como um homem no nosso tempo!

(autorizo publicação)

segunda-feira, 25 de maio de 2015

BOM SENSO


A busca pela auto-essência ou pela natureza objetiva do existir como ser humano dotado de inteligência e espírito ou razão e emoção, permite que haja um conflito subjetivo na pós-modernidade: tem-se cinco mil amigos (seguidores) em um sítio de redes sociais e não se consegue reunir cinco pessoas em torno de uma mesa para se falar em amenidades; tem-se uma dúzia de conhecidos virtuais para jogar um determinado jogo de guerra, onde é permitido matar e na rua não se pode hostilizar um mendigo que interrompe seu percurso. O contraditório seria de explicação rápida e de pouca valia, logo o bom senso deve tornar-se o maestro das atitudes.

Mas o que é bom senso? Como se adquire bom senso?

Bom – adj. Que tem as qualidades que convêm à sua natureza ou destinação.
Senso – s.m. Raciocínio claro; juízo.

Porém, usando-se como convenção ter mais de uma verdade sobre o mesmo fato, os raciocínios podem ser tidos como bons mesmo sendo opostos de outro. Logo, bom senso para alguns pode ser mau senso para outros.

Entra um terceiro item neste paradoxo: o espírito de coletividade. Talvez esteja aqui a solução para o vazio existencial.

Desde o princípio da educação de um indivíduo deve-se deixar claro que ele existe e co-existe ao mesmo tempo. Que ele faz parte de uma rede, uma cadeia de indivíduos, que tem amigos, parentes, vizinhos e até mesmo pessoas distantes que direta ou indiretamente, em algum momento da vida, influenciarão sua trajetória. 

A receita poderia vir de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, com sua defesa das estruturas estruturantes: neste caso, ajustaria o conceito de “dominação simbólica como sendo a educação orientada e recebida” a favor do coletivo, pois criaria o habitus de grupo interdependente no campus que iria ser, então, uma “existência preenchida” (com bom senso).

domingo, 19 de abril de 2015

NÃO SE REFORMA COM MATERIAL VELHO

(em abril de 2015)

Os comportamentos, os estados psíquicos e a forma de manifestar-se são adquiridos pela movimentação circunstancial da sociedade, dos fatos sociais – assim defendia David Émile Durkheim, sociólogo francês e tido como um dos pais da ciência social – o indivíduo molda seu comportamento a partir do contexto em que a sociedade se encontra (presente).

Certa vez eu disse que era possível abstrair uma atitude tirana do ser humano mais piedoso e altruísta que se possa conhecer, para isto, dependeria apenas da forma (ou ponto de vista) que ele fosse observado. Neste mesmo sentido, pode-se dizer que um sapato furado pode estar velho, ser de má qualidade ou seu dono tê-lo usado muito, ou as três hipóteses juntas.

Os movimentos atuais em relação à condução política e econômica do Brasil tem esse mesmo sintoma, segundo minha percepção, recorrendo às teorias de Durkheim. Quem conduz o país percebe que o cidadão molda-se a circunstância e contexto com a volatilidade de um balão de ar solto, sem obstrução e faz isso a seu favor, sem nenhuma culpa. Sabe que o senso comum impera, que o rapaz da feira vai gritar a promoção da hora e todos vão correr pra comprar, pois liquidez e sinônimo de economia.

A Reforma Política, que é tema de discussão atual, está sendo pré-concebida pelo grito dos feirantes – políticos que estão na caserna há bastante tempo ou seus seguidores herdeiros – e o povo corre pra ver quem oferece mais facilidades, nem tão consistentes, nem tão construtivas, porém baratas, de fácil compreensão imediata e de aplicação menos complexa ou complicada (sem ser sinônimas).

Quero fazer uma proposta: ouça um cientista politico, um cientista social e até um jurista sem vínculos com sistemas ou partidos políticos, faça perguntas, cobre respostas simples, peça que façam uma construção de reforma política descomprometida de intenções eleitoreiras, de ascensão ao poder ou manutenção dele. Eles não são feirantes; não anunciam promoções da hora; anunciam projetos; são pós-modernos e querem um país melhor.

Se for confortável continuar sendo moldado individualmente através dos comportamentos coletivos, que seja com novas visões, sem distorções interesseiras, sem acreditar no que se apresenta como primeira e imediata solução.

Se outro Brasil é possível – e é, acredito – que seja com outras possibilidades vindas de outras frentes, pois os que agora estão na caserna, querem apenas garantir café quente e cigarro – guerra e novas batalhas não os seduzem mais.

quarta-feira, 25 de março de 2015

NÃO SOU INTELECTUAL

Não sou intelectual – já havia dito, tenho senso comum apurado – e se o fosse, escreveria um outro “O Príncipe” tentando convencer algum governante a fazer a coisa certa pra ele e pra mim. Eis o motivo que levou Maquiavel a escrever aquele que se tornou um clássico: quem lê a carta que ele envia junto ao manuscrito percebe uma tendência natural de quem está precisando de emprego em convencer seu possível empregador; são os interesses preponderando sobre o altruísmo. Por isto, e anacronicamente, chamado de maquiavélico.

Já ouvi argumentos de que aquela era outra época (1.503 D.C) e em circunstâncias diferentes (poder do Papa ou clero versus poder monárquico), mas percebi quando li O Príncipe que ele estava sendo sagaz, tendencioso e ardiloso, confirmado no texto da carta que ele enviou ao príncipe. Logo o “adjetivo” maquiavélico tem a mesma conotação desde sua origem.

Mas... voltando ao “não sou intelectual”, não o sou também por falta de tempo para dedicar-me, pois precisaria de ócio para estudar e produzir estudos – ócio criativo, defendido pelo sociólogo italiano Domenico de Masi – e mais do que isso, teria que ser titulado para dar credibilidade à minha produção.

Tento sempre dizer (ou escrever) que quando digo que sei (e o que sei pode ser pouco) espero oportunidade para provar através da prática.

- Tá! Mas por que estou dizendo isto?

- Porque hoje tive que escrever uma “carta de intenção” me candidatando a uma vaga de emprego pela internet, e junto, enviar meu currículo.

Então a prática maquiavélica pode ser motivo de repúdio por pessoas e instituições quando é explicita, porém quando pode tornar-se necessária continua prevalecendo implicitamente como regra de conduta burocrática.

E quando uma professora é arrastada pelos cabelos pela mãe de um aluno, os maquiavélicos continuam tomando as providências, para o bem do Estado e o mal dos pecados.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A ARTE DE COMPRAR ALFINETES

Alguém já comprou alfinetes para pregar as barras de calças?´

Aqueles simples – cabeça e haste, não um pregador – minha mãe aproveitava os que fixavam camisas novas em suas respectivas caixas. E eu aproveitava o papel duro que moldava a dobra das camisas para escrever meus primeiros ensaios, no início dos anos de 1980. Num deles escrevi, com minha didática simplória dos primeiros anos de escola, que a abolição dos escravos era interessante, pois eles também acabariam pagando impostos.

Acabei comprando uma latinha (de plástico) cheia de alfinetes para minha mãe, ela parou de costurar anos depois e ainda existia metade deles. Era cultura pós-guerra (a segunda), onde tudo ou quase tudo era reaproveitado. As canetas bic acabavam ou “estouravam”. As latas de óleo de soja viravam canecos. Os sacos plásticos eram lavados e reusados.

Agora tudo é descartável, até ideologias, em nome das mudanças e das renovações. O pote de alfinetes nem sabe que fim se deu (dizem que foi para o céu dos guarda-chuvas).

Tem um lado positivo nisto: eu não sei mais comprar alfinetes. Porém sofro de vazio ideológico, uma doença pós-moderna, causada por um vírus chamado abstração, que hora ou outra é mutante e se transforma em sectarismo ou fisiologismo. Tento me curar pensando nos alfinetes.