
A
busca pela auto-essência ou pela natureza objetiva do existir como ser humano
dotado de inteligência e espírito ou razão e emoção, permite que haja um
conflito subjetivo na pós-modernidade: tem-se cinco mil amigos (seguidores) em
um sítio de redes sociais e não se consegue reunir cinco pessoas em torno de
uma mesa para se falar em amenidades; tem-se uma dúzia de conhecidos virtuais
para jogar um determinado jogo de guerra, onde é permitido matar e na rua não
se pode hostilizar um mendigo que interrompe seu percurso. O contraditório seria
de explicação rápida e de pouca valia, logo o bom senso deve tornar-se o
maestro das atitudes.
Mas
o que é bom senso? Como se adquire bom senso?
Bom – adj. Que
tem as qualidades que convêm à sua natureza ou destinação.
Senso
– s.m. Raciocínio claro; juízo.
Porém,
usando-se como convenção ter mais de uma verdade sobre o mesmo fato, os
raciocínios podem ser tidos como bons mesmo sendo opostos de outro. Logo, bom
senso para alguns pode ser mau senso para outros.
Entra
um terceiro item neste paradoxo: o espírito de coletividade. Talvez esteja aqui
a solução para o vazio existencial.
Desde
o princípio da educação de um indivíduo deve-se deixar claro que ele existe e
co-existe ao mesmo tempo. Que ele faz parte de uma rede, uma cadeia de
indivíduos, que tem amigos, parentes, vizinhos e até mesmo pessoas distantes
que direta ou indiretamente, em algum momento da vida, influenciarão sua
trajetória.
A receita poderia vir de Pierre Bourdieu, sociólogo francês, com sua defesa das estruturas estruturantes: neste caso, ajustaria o conceito de “dominação simbólica como sendo a educação orientada e recebida” a favor do coletivo, pois criaria o habitus de grupo interdependente no campus que iria ser, então, uma “existência preenchida” (com bom senso).


