(em abril de 2015)
Os comportamentos, os estados psíquicos e a forma de
manifestar-se são adquiridos pela movimentação circunstancial da sociedade, dos
fatos sociais – assim defendia David
Émile Durkheim, sociólogo francês e tido como um dos pais da ciência social
– o indivíduo molda seu comportamento a partir do contexto em que a sociedade
se encontra (presente).
Certa vez eu disse que era possível abstrair uma atitude
tirana do ser humano mais piedoso e altruísta que se possa conhecer, para isto,
dependeria apenas da forma (ou ponto de vista) que ele fosse observado. Neste
mesmo sentido, pode-se dizer que um sapato furado pode estar velho, ser de má
qualidade ou seu dono tê-lo usado muito, ou as três hipóteses juntas.
Os movimentos atuais em relação à condução política e econômica
do Brasil tem esse mesmo sintoma, segundo minha percepção, recorrendo às
teorias de Durkheim. Quem conduz o país percebe que o cidadão molda-se a
circunstância e contexto com a volatilidade de um balão de ar solto, sem
obstrução e faz isso a seu favor, sem nenhuma culpa. Sabe que o senso comum
impera, que o rapaz da feira vai gritar a promoção da hora e todos vão correr pra
comprar, pois liquidez e sinônimo de economia.
A Reforma Política, que é tema de discussão atual, está
sendo pré-concebida pelo grito dos feirantes – políticos que estão na caserna há
bastante tempo ou seus seguidores herdeiros – e o povo corre pra ver quem
oferece mais facilidades, nem tão consistentes, nem tão construtivas, porém
baratas, de fácil compreensão imediata e de aplicação menos complexa ou
complicada (sem ser sinônimas).
Quero fazer uma proposta: ouça um cientista politico, um
cientista social e até um jurista sem vínculos com sistemas ou partidos
políticos, faça perguntas, cobre respostas simples, peça que façam uma
construção de reforma política descomprometida de intenções eleitoreiras, de
ascensão ao poder ou manutenção dele. Eles não são feirantes; não anunciam
promoções da hora; anunciam projetos; são pós-modernos e querem um país melhor.
Se for confortável continuar sendo moldado individualmente
através dos comportamentos coletivos, que seja com novas visões, sem distorções
interesseiras, sem acreditar no que se apresenta como primeira e imediata
solução.
Se outro Brasil é possível – e é, acredito – que
seja com outras possibilidades vindas de outras frentes, pois os que agora
estão na caserna, querem apenas garantir café quente e cigarro – guerra e novas
batalhas não os seduzem mais.


